Ministério da Justiça proíbe, na prática, desenhos bíblicos na Rede Record.

Cena animada de Jesus conversando com um jovem em um ambiente desértico.

A decisão do Ministério da Justiça de elevar a classificação indicativa dos desenhos bíblicos infantis, tradicionalmente, exibidos pela Rede Record, retirando-lhes a classificação livre e proibindo sua exibição para maiores de 12 anos, é catastrófica! Para não dizer criminosa! Merece não somente atenção, mas também indignação por parte de toda a sociedade.

A decisão foi tomada pela Portaria nº 2.272, publicada no dia 29 de outubro de 2026 no Diário Oficial da União. Estamos falando de proibição de produções que apresentam às crianças histórias bíblicas milenares, personagens e ensinamentos importantíssimos que atravessaram gerações. Narrativas cristãs sobre amor ao próximo, perdão, solidariedade, justiça, obediência e fé fazem parte de uma tradição que influencia a formação de milhões de brasileiros.

Jesus em um cenário ao ar livre, com um pôr do sol ao fundo, interagindo com duas crianças.

Ao alteração da faixa etária dos desenhos vem acompanhada de uma “sugestão” para sua transmissão apenas após as 20 horas! Na prática a medida corta todo o alcance dos telespectadores em horário nobre e impede seu público-alvo de assistir o conteúdo cristão. É evidente que a proteção da infância deve ser uma prioridade. Nenhum conteúdo audiovisual está acima de uma avaliação responsável, e a classificação indicativa tem sua importância. Entretanto, é legítimo questionarmos os critérios utilizados quando uma produção tradicionalmente destinada ao público infantil passa a receber uma classificação tão restritiva, especialmente quando não são apresentadas, de maneira clara, as cenas e os elementos específicos que fundamentaram a decisão.

A questão não deve ser reduzida a uma disputa política ou ideológica. O que está em discussão é um princípio muito maior: a liberdade de crença, a liberdade de expressão e o direito das famílias de educarem seus filhos conforme suas convicções!

O Ministério afirma que seus critérios para avaliar os conteúdos religiosos, são cenas de crimes, uso de drogas, violência, etc! Eles só esqueceram de dizer que os desenhos mostram tais condutas como erradas! E mal exemplos a serem superados! Algo fundamental para a boa formação de um cidadão brasileiro! Assim como todas as produções audiovisuais educativas, independentemente de sua orientação cultural, filosófica ou religiosa.

Uma cena de uma animação com Jesus, de cabelos longos e barba, dialogando com outros homens ao fundo em um cenário ao ar livre.

Também precisamos refletir sobre o espaço que a sociedade oferece às manifestações cristãs. Em um país onde milhões de pessoas professam a fé cristã, é razoável esperar que conteúdos inspirados na Bíblia sejam tratados com o mesmo respeito e a mesma liberdade concedidos às demais manifestações culturais.

Não podemos confundir proteção à infância com a criação de obstáculos desproporcionais à transmissão de valores religiosos. Tampouco podemos permitir que questionamentos legítimos sobre decisões administrativas sejam tratados como meras disputas partidárias.

A Bíblia não é apenas um livro de fé para nós cristãos: seus ensinamentos também fazem parte da nossa história, cultura e da formação moral da sociedade brasileira.

O debate, portanto, precisa ir além de uma emissora de televisão ou de uma decisão ministerial. Precisamos estar atentos à preservação das liberdades fundamentais, inclusive daquelas que dizem respeito ao direito de professar, compartilhar e transmitir a fé às próximas gerações.

A liberdade religiosa não deve ser defendida apenas quando convém a determinado grupo. Deve ser respeitada sempre, inclusive quando a manifestação de fé não corresponde às nossas próprias convicções.

Afinal, proteger nossas crianças é importante, mas preservar o direito das famílias de transmitir seus valores e sua fé também é parte fundamental de uma sociedade verdadeiramente livre.

Presidente da ONG Amor que Transforma (AQT)